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October 05 DIA DAS CRIANÇASDIA DAS CRIANÇAS
Texto de Aníbal Nunes
Não foi muito bom o meu Dia da Criança. Não ganhei nenhum presentinho daqueles bonitos que vêm embrulhados num papel brilhante, com laço de fita. Não pude olhar as vitrines porque a dona da loja mandou que eu fosse embora rapidinho, senão ela chamaria a polícia. Saí dali triste porque eu só queria ver aquele carrinho andando, batendo, voltando, virando, desvirando, como os de verdade. Fui passear no parque e fiquei encantado com os cavalinhos subindo e descendo, as crianças, todas bem vestidas, perfumadas, bonitas... cada uma com um presente na mão, dinheiro para comprar algodão doce, pipoca, sorvete. Fiquei só observando e sentindo desejo de ser criança rica pelo menos naquele momento. Meus coleguinhas, como eu, olhavam por entre as grades do carrossel e enchiam os olhinhos de lágrimas. Saimos dalí e fomos olhar o desfile de crianças no Centro de Cultura. Tanta gente que nos perdemos uns dos outros. Quando nos reencontramos já estava na hora de irmos à pé para nossos barracos lá no Lixão. No dia seguinte, quando o caminhão chegou, eu e meus coleguinhas corremos atrás, por dentro do lixo que ele ia derramando. Foi quando encontramos alguns brinquedos usados. Não era mais o Dia da Criança, mas estávamos contentes porque as crianças ricas deixaram para nós alguns brinquedos despedaçados que ainda serviram. Eu achei um carrinho sem rodas, minha colega achou uma boneca de uma perna só, parecia uma Saci. Meu outro colega achou algumas bolinhas de gude, um resto de velocípede e uma bola furada. Passamos o resto do dia brincando, pulando, correndo e rindo à tôa, porque achamos alguma coisa para nos divertir. À tardinha, chegou um carro bonito trazendo dois panelões e dois sacos de pães. Do carro, desceram algumas senhoras, cantando e rezando. Corremos todos e formamos uma fila bem grande, mais de oitenta, cem, talvez. A sopa era muita e os pães sobraram tanto que levamos mais alguns para os que ficaram em casa. Já não era mais o Dia da Criança, mas fomos também lembrados por aquelas senhoras. Elas cantaram mais um pouco, espantaram as moscas que fervilhavam sobre os nossos pães. Fomos para os nossos barracos com a certeza de que, pelo menos por aquela noite, nossas barrigas não roncariam tanto. No dia seguinte, já não tínhamos mais pães e tudo era incerteza outra vez. Soluçamos de pranto porque ninguém veio nos visitar, nos trazer alguma coisa, uma roupinha usada, um brinquedo, um caderno, um lápis, uma bola, um par de sandálias. Choramos porque não podemos ver as vitrines, andar no carrossel, no trenzinho, na roda gigante. Choramos porque ninguém olha para nós com os olhos de sentir, mas com os olhos de reprimir, de rejeitar, de odiar, de desfazer e humilhar. É por isso que para nós não existe o Dia da Criança, e bom seria que criassem o Dia das Crianças Pobres, para todos nós que vivemos à margem da sociedade, que nos trata como se fôssemos marginais. October 03 É BOM TER UM ESPAÇO ASSIM...É BOM TER UM ESPAÇO ASSIM...
Claudinha
Um espaço onde possamos colocar nossos poemas, contos, crônicas, fotos, expor nossas alegrias, mágoas, angústias, sentimentos, frustrações e, sobretudo, nossos momentos de fé, de esperança e de felicidades.
Um espaço aberto para as nossas amizades, para o público, para a família. Um espaço só nosso. Um amor de espaço. |
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